O graffiti é muitas vezes visto apenas como expressão estética ou vandalismo. Nesta edição, convidamos o professor de artes e artista urbano da nossa cidade, além de estudante de Letras no Campus Patrocínio, Filipe Koki, para compartilhar sua visão sobre o papel da arte no espaço público. Além de falar sobre sua trajetória, ele apresenta uma produção inédita inspirada no tema desta edição, mostrando como cores, formas e ideias podem dialogar diretamente com a sociedade.
Sua trajetória começou desde pequeno quando, nas férias escolares, viajava de caminhão com seu pai e se encantou com as letras estilizadas e os desenhos nas grandes cidades. Mais tarde, quando seu interesse pelo graffiti cresceu, ele fez pesquisas de materiais e passou a concretizar suas ideias do papel para o meio urbano. Hoje, suas inspirações vêm principalmente da natureza e do cotidiano. O hábito de caminhar pela cidade e observar detalhes do dia a dia se transforma em matéria-prima para suas criações, revelando um olhar atento ao ambiente e às vivências ao seu redor.
Levando a refletir sobre o espaço urbano de Patrocínio, ele diz que o graffiti poderia contribuir significativamente para a valorização estética da cidade, especialmente em áreas que carecem de revitalização, destacando os espaços públicos e de ensino, onde essa arte teria mais visibilidade. No entanto, em sua concepção, o graffiti não é plenamente valorizado, muitas vezes por estar ligado à pichação, trazendo desconfiança para a população. Ainda assim, o artista demonstra resiliência em revelar o graffiti como nova possibilidade de arte sempre que surgem novas iniciativas, respeitando a evolução da cidade.
Na obra produzida para esta edição, o professor reforça a ideia de que a arte urbana também é uma forma de exercer cidadania. Segundo ele, o graffiti amplia o acesso da população à arte no cotidiano, rompendo barreiras e levando beleza aos espaços públicos. A mensagem dialoga com a noção de que a cidadania vai além das necessidades básicas, incluindo também o direito à cultura, ao lazer e à expressão artística.
Por fim, Filipe Koki acredita que, embora a arte em si não seja o único meio, ela possui um importante papel transformador: “Por meio dela, podemos demonstrar amor ao próximo, trazendo beleza, bondade e verdade a uma sociedade onde ainda existem dor e sofrimento”.
Conheça outras artes feitas pelo mesmo autor visitando seu perfil no Instagram: @kokigrafitti.